Para viajantes ou não, encontros com a polícia podem gerar certo desconforto, simplesmente porque eles são autoridade e alguns fazem mal uso dela. Em outro país nos sentimos ainda mais vulneráveis, mas aprendemos a relaxar mais com o tempo.
No Uruguay não fomos parados nenhuma vez
pela polícia, exceto na aduana do Chuy, onde pediram documentos e a Carta
verde, e ficaram curiosos com nossos armarinhos dentro do carro.
Já na Argentina, passamos por vários postos
policiais na Ruta 9, de Buenos Aires a Córdoba, e eles estavam parando os
motoristas aparentemente de forma aleatória.
Toda vez que víamos no mapa um vilarejo ou
a placa de controle policial na estrada já começava uma tensão, porque apesar
de termos tudo certo com o carro e estar com todos os documentos, a fama da
policia caminera é de inventar alguma coisa errada para aplicar uma multa
“informal” para te liberar.
Nosso primeiro encontro com os fardados foi
depois de Córdoba, indo até a cidade de Recreo. Fim de tarde, avistamos o posto
policial e já rola aquele medo. O policial faz sinal para encostar com sua
lanterninha. Felizmente dessa vez, só pediu nossos documentos, perguntou onde
íamos e até nos deu as direções e mandou seguir. A dor de barriga passou e
continuamos até Recreo.
Mas nossa sorte não durou muito. No dia
seguinte seguiríamos até Salta, mais 6h de viagem. Avistamos o policial, tensão
novamente, ele mandou encostar. Parei uns 10m a frente dele e fiquei esperando
ele vir até a janela. Meia idade, fisionomia de ascendência inca (como é mais
comum nessa região da Argentina). Pediu os documentos, olhou o carro e já foi
dizendo que eu “Não havia respeitado o controle policial”, que cheguei muito
‘fuerte’. Me pediu para descer e acompanhá-lo, pois teria que pagar uma multa.
Nesse momento a Rê já começava a ficar muito nervosa, dizendo para não pagar
nada, dizer que não tinha nada. Fui com ele até o postinho, onde havia um
quartinho bem xexelento com um beliche e uma salinha com uma mesa onde ele
sentou, ficou olhando os documentos (cópias) e me perguntando onde iam, se estavam
em “luna de miel”, o que faziam da vida, etc.
Nessas horas em que tentam te extorquir,
uma das táticas é a do João-sem-braço. A diferença de língua e costumes está a
seu favor. E aí, quando ele lançou que teríamos que pagar 1200 pesos (aprox.
300 reais) imediatamente respondemos, ao mesmo tempo, que não tínhamos nada,
“solo tarjeta”, ir até o banco pagar, etc. Ele pareceu meio resignado, fez mais
algumas perguntas mas resolveu, de boa vontade, nos ‘perdonar’ porque éramos
estrangeiros e não conhecíamos as regras direito... e me deu os documentos e
uns tapinhas “vaya, vaya”...
Os outros encontros foram em geral tranquilos, ver documentos, olhar bagagem a procura de frutas (existe uma campanha para erradicação da mosca-de-fruta no país), etc
Dica
Se você pretende vir a essas bandas da
Argentina, uma dica boa para evitar esses estresses – claro, além de estar de
acordo com as leis do país - é o trajeto que fizemos: evitar a província de Entre
Rios, que fica no caminho a Buenos Aires para que vem do sul do Brasil e
Uruguay, e mais famosa pelos hermanos de farda pedindo "colaboración". Nós tomamos a balsa de Colonia de Sacramento direto para Buenos Aires,
cortando assim esse trecho que, dizem ser o pior para estrangeiros no quesito
polícia corrupta.

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